Síndrome ou transtorno do pânico: sintomas e o que fazer

Síndrome ou transtorno do pânico: sintomas e o que fazer

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Um ataque de pânico é um episódio repentino de medo intenso que desencadeia reações físicas graves quando não há perigo real ou causa aparente.

Quando ocorrem ataques de pânico, a pessoa pode pensar que está perdendo o controle, tendo um ataque cardíaco ou mesmo morrendo.

Estresse e cansaço podem desencadear um ataque de pânico e ter um ataque não significa que a pessoa tenha transtorno do pânico.

Muitas pessoas têm apenas um ou dois ataques de pânico durante a vida, e o problema desaparece, talvez quando uma situação estressante termina. Mas se a pessoa tem ataques de pânico recorrentes e inesperados e passa longos períodos com medo constante de outro ataque, ela pode ter uma condição chamada transtorno do pânico.

O transtorno do pânico é mais comum em mulheres do que em homens. Geralmente começa quando as pessoas são jovens. Às vezes, começa quando uma pessoa está sob muito estresse.

A maioria das pessoas melhora com o tratamento. A terapia pode mostrar como reconhecer e mudar seus padrões de pensamento antes que eles levem ao pânico. Os remédios também podem ajudar.

Embora os ataques de pânico em si não sejam fatais, eles podem ser muito assustadores e afetar significativamente a qualidade de vida.

Ansiedade

A ansiedade é um sentimento de desconforto. Pode variar de leve a grave e pode incluir sentimentos de preocupação e medo. Sentir-se ansioso em algumas situações específicas é normal, desde que não paralise as ações.

Quando a ansiedade é generalizada e impede que a pessoa consiga ter uma vida equilibrada, configura-se um  transtorno de ansiedade generalizada.

A forma mais grave de ansiedade é o pânico.

Não é incomum que pessoas com transtorno de ansiedade generalizada tenham ataques de pânico, e isso não é transtorno do pânico.

Qual é a diferença entre ataques de pânico e transtorno do pânico, então?

No transtorno do pânico, a pessoa pode começar a evitar certas situações porque teme que elas acionem outro ataque.

Isso pode criar um ciclo vicioso “com medo do medo”, ou seja: o medo de um ataque de pânico ser gatilho para um ataque de pânico.

O transtorno do pânico se se configura quando os ataques de pânico se tornam um problema e a pessoa fica regularmente preocupada em ter mais ataques ou tem medo de que algo ruim aconteça por causa de um ataque de pânico, como desmaiar, ter um ataque cardíaco, enlouquecer, morrer ou, no mínimo, ficar constrangida quando nesta situação.

No transtorno do pânico, os ataques de pânico são inesperados e imprevisíveis.

Sintomas

Os ataques de pânico podem acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar e sem aviso prévio – quando a pessoa está dirigindo um carro, no shopping, dormindo profundamente ou durante o trabalho. Os ataques de pânico podem ser ocasionais ou podem ocorrer com frequência.

Os ataques de pânico têm muitas variações, mas os sintomas geralmente atingem o pico em minutos. A pessoa pode se sentir cansada e esgotada depois que um ataque de pânico passa ou diminui.

Em um ataque de pânico o corpo experimenta uma onda de sintomas mentais e físicos intensos e inclui pelo menos quatro dos seguintes sintomas:

  • Palpitações
  • Fraqueza
  • Suor intenso
  • Náusea
  • Dor no peito
  • Falta de ar
  • Tremor
  • Ondas de calor
  • Arrepios
  • Fraqueza nas pernas
  • Sensação de asfixia
  • Tontura
  • Sensação de entorpecimento
  • Boca seca
  • Necessidade de ir ao banheiro
  • Zumbido nos ouvidos
  • Sentimento de medo ou medo de morrer
  • Medo de perder o controle ou “enlouquecer”
  • Cólica abdominal
  • Sensação de formigamento nos dedos
  • Sentir que não está “conectado” ao corpo

A maioria dos ataques de pânico dura entre 5 e 20 minutos, mas podem durar até uma hora.

Algumas pessoas têm ataques uma ou duas vezes por mês, enquanto outras as têm várias vezes por semana.

Embora os ataques de pânico sejam assustadores, eles não são perigosos. Um ataque não causará nenhum dano físico.

A maioria desses sintomas também podem ser sintomas de outras condições ou problemas de saúde.

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Outros comportamentos relacionados ao transtorno de pânico

A pessoa com transtorno do pânico geralmente muda seu comportamento para se sentir mais seguro, como:

  • Carregar itens como medicamentos, água ou um telefone celular
  • Somente querer sair acompanhada
  • Evitar atividades físicas, incluindo relação sexual, que possam desencadear sentimentos de pânico
  • Sentar perto de saídas ou banheiros

Fatores de risco

Fatores que podem aumentar o risco de desenvolver ataques de pânico ou transtorno do pânico incluem:

  • Fumar
  • Alcoolismo ou uso de drogas ilícitas
  • Ingestão excessiva de cafeína ou outras substância estimulantes
  • Ter transtorno de ansiedade generalizada, depressão ou outra condição psíquica
  • História familiar de ataques de pânico
  • História de um trauma grave na infância

Causas

Tal como acontece com muitas condições de saúde mental, a causa exata do transtorno de pânico não é totalmente compreendida.

Um desequilíbrio químico dentro do sistema límbico e em um de seus produtos químicos reguladores GABA-A podem estar relacionados à causa. A produção reduzida de GABA-A envia informações falsas para a área do cérebro que regula o mecanismo de resposta de “lutar ou fugir” do corpo e, em troca, produz os sintomas fisiológicos que levam ao distúrbio.

Acredita-se que a condição provavelmente está ligada a uma combinação de fatores, incluindo:

  • Um acontecimento traumático ou muito estressante
  • Estar sob pressão ou estresse
  • Um desequilíbrio de neurotransmissores (mensageiros químicos) no cérebro

Diagnóstico

O médico avaliará os sintomas, com que frequência eles ocorrem e há quanto tempo ocorrem.

Podem ser realizados exames para descartar outras condições de saúde que possam estar causando esses sintomas.

A pessoa pode ser diagnosticada com transtorno do pânico se tiver ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguido de pelo menos um mês de preocupação com a possibilidade de outros ataques ou preocupação contínua com as consequências dos ataques.

Transtorno do pânico em crianças

O transtorno do pânico é mais comum nos adolescentes do que nas crianças.

Os ataques de pânico podem ser particularmente difíceis de lidar em crianças, pois estas diferem dos adolescentes e adultos em sua interpretação e capacidade de expressar o que sentem.

Tal como os adultos, as crianças apresentam sintomas físicos, incluindo frequência cardíaca acelerada, suores, tremores, falta de ar, náuseas, cólicas abdominais, tonturas ou desmaios. Elas também experimentam sintomas como medo de morrer, sensação de se desligar de si mesma, sensação de perder o controle ou enlouquecer, mas são incapazes de dar nome a essas manifestações.

As crianças simplesmente sabem que algo está errado e que estão com muito medo e geralmente descrevem somente os sintomas físicos.

Nos casos graves, o distúrbio pode afetar o desenvolvimento e o aprendizado.

Tratamento

O transtorno do pânico é tratável e a pessoa pode fazer uma recuperação completa.

O tratamento visa reduzir o número de ataques e aliviar os sintomas.

A terapia psicológica e a medicação são os dois principais tratamentos para o transtorno de pânico.

Dependendo dos sintomas, a pessoa pode precisar de um desses tratamentos ou uma combinação dos dois.

Terapia psicológica

Em muitos casos está indicada a terapia cognitivo-comportamental, mas cada caso deve ser avaliado para escolher a melhor terapia.

A terapia cognitivo-comportamental incentiva os pacientes a confrontar os gatilhos que induzem sua ansiedade. Ao enfrentar a própria causa da ansiedade, acredita-se que ajude a diminuir os medos irracionais que estão causando os ataques.

A pessoa irá discutir com seu terapeuta como reage e o que pensa quando está passando por um ataque de pânico.

O terapeuta pode ensinar maneiras de mudar o comportamento.

Medicação

O médico pode prescrever, em alguns casos, medicamentos como:

  • Antidepressivos
  • Anti-convulsivantes, como a pregabalina
  • Ansiolíticos

Os antidepressivos podem levar de 2 a 4 semanas antes de começarem a fazer efeito e até 8 semanas para atuarem totalmente.

O clonazepam, um benzodiazepínico anticonvulsivante com meia-vida longa, tem obtido sucesso em manter a condição sob controle.

O que fazer durante um ataque de pânico

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Ao sentir um ataque, a pessoa deve tentar o seguinte:

  • Não lutar contra o ataque e ficar onde está, se possível
  • Confrontar o medo a fim de confirmar que nada de mau acontece
  • Respirar devagar e profundamente
  • Lembrar-se de que o ataque irá passar
  • Focar em imagens positivas, pacíficas e relaxantes
  • Lembrar-se que não é fatal e que nada de físico está realmente acontecendo

Complicações do transtorno do pânico

Se não forem tratados, os ataques de pânico e o transtorno do pânico podem afetar quase todas as áreas da vida de uma pessoa.

O transtorno do pânico pode afetar a capacidade de realizar atividades que antes eram corriqueiras, como dirigir.

A pessoa também corre o risco de desenvolver outras condições de saúde mental, como a agorafobia (fobia de lugares espaçosos ou públicos) ou outras fobias, ou mesmo um problema com álcool ou drogas.

Outras complicações que os ataques de pânico podem causar ou estar associadas incluem:

  • Buscar assistência médica frequente para questões de saúde e outras condições médicas, que às vezes são inexistentes
  • Baixo desempenho no trabalho ou na escola
  • Aumento do risco de suicídio ou pensamentos suicidas
  • Problemas financeiros

Se a pessoa não receber ajuda médica, o transtorno pode aumentar e tornar-se muito difícil de lidar.

Prevenção de um novo ataque

A pessoa precisa tentar descobrir qual o estresse particular que pode estar sendo a base de todo o transtorno.

É importante não restringir as atividades diárias.

Também pode ajudar a prevenir:

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  • Ler livros de auto-ajuda para a ansiedade com base nos princípios da terapia cognitivo-comportamental
  • Experimentar terapias complementares, como massagem e aromaterapia ou atividades como ioga e pilates para ajudar a relaxar
  • Fazer exercícios físicos regulares para reduzir os níveis de estresse, aliviar a tensão, melhorar o humor e aumentar a confiança
  • Evitar alimentos e bebidas açucarados, cafeína e álcool, e parar de fumar, pois todas essas coisas podem piorar os ataques

Atividade física como prevenção e tratamento da ansiedade

Fazer atividade física regular é uma boa maneira de prevenir ou controlar a ansiedade e a depressão leve.

Há muitos pontos de vista sobre como o exercício físico ajuda o emocional das pessoas, embora as razões precisas não sejam claras.

De um modo geral, manter-se ativo pode:

  • Ajudar a melhorar o humor através da melhora da forma física
  • Ajudar a melhorar os padrões de sono
  • Aumentar os níveis de energia
  • Ajudar a bloquear pensamentos negativos ou distrair as pessoas das preocupações diárias
  • Ajude as pessoas a sentirem-se menos sozinhas se exercitarem com os outros.

Exercício também pode alterar os níveis de substâncias químicas no cérebro, como a serotonina, endorfinas e hormônios do estresse.

A atividade física mais simples, fácil e barata é correr ou basicamente caminhar ou correr.

Referências

O que É asma: causas, sintomas e tratamento