CÂncer de pÂncreas: causas e sintomas

Câncer de pâncreas: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

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O câncer de pâncreas é um dos tumores mais agressivos e costuma se desenvolver silenciosamente. Muitas vezes é diagnosticado em estágios mais avançados.

Isso acontece devido à localização do pâncreas, que fica atrás do estômago, o que gera a dificuldade em fazer o diagnóstico em estágios inicias.

Geralmente os sintomas somente surgem quando ele já se espalhou para outros órgãos, por isso é um tumor com altos índices de mortalidade.

O tipo mais comum de câncer que se forma no pâncreas começa nas células que revestem os dutos que transportam as enzimas digestivas para fora do pâncreas (adenocarcinoma ductal pancreático).

O pâncreas desempenha um papel essencial na digestão produzindo enzimas que o corpo precisa digerir gorduras, carboidratos e proteínas.

As opções de tratamento podem incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou uma combinação dessas.

Sintomas e sinais do câncer de pâncreas

Os sinais e sintomas do câncer de pâncreas geralmente não ocorrem até que a doença esteja avançada. Eles podem incluir:

  • Dor abdominal que se irradia para as costas
  • Perda de apetite ou perda de peso não intencional
  • Tom da pele e do branco dos olhos amarelado (icterícia)
  • Urina de cor escura
  • Fezes de cor clara
  • Coceira na pele
  • Diagnóstico de diabetes recente ou diabetes existente que está se tornando mais difícil de controlar
  • Facilidade de coagular o sangue (trombose)
  • Fadiga

Causas do câncer de pâncreas

Não está claro o que causa o câncer de pâncreas.

Alguns fatores que podem aumentar o risco desse tipo de câncer foram identificados, incluindo fumar e ter certas mutações genéticas herdadas.

Entendendo o pâncreas

CÂncer de pÂncreas: causas e sintomas

O pâncreas é um órgão do abdome que fica atrás do estômago e tem cerca de 15 centímetros de comprimento.

Ele libera hormônios, incluindo a insulina, para ajudar o corpo a processar o açúcar dos alimentos.

E produz enzimas digestivas para ajudar o corpo a digerir os alimentos e absorver os nutrientes.

Como se forma o câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas ocorre quando as células do pâncreas desenvolvem alterações (mutações) em seu DNA.

O DNA de uma célula contém as instruções que dizem a uma célula o que fazer.

Essas mutações dizem às células para crescer incontrolavelmente e continuar a viver depois que as células normais morrerem.

A maioria dos cânceres pancreáticos começa nas células que revestem os dutos do pâncreas. Este tipo de câncer é denominado adenocarcinoma pancreático ou câncer exócrino pancreático.

Com menos frequência, o câncer pode se formar nas células produtoras de hormônios ou nas células neuroendócrinas do pâncreas. Esses tipos de câncer são chamados de tumores neuroendócrinos pancreáticos, tumores de células das ilhotas ou câncer endócrino pancreático.

Fatores de risco

Os fatores que podem aumentar o risco de câncer de pâncreas incluem:

  • Fumar
  • Diabetes Mellitus
  • Inflamação crônica do pâncreas (pancreatite)
  • História familiar de síndromes genéticas que podem aumentar o risco de câncer, incluindo uma mutação do gene BRCA2, síndrome de Lynch e Síndrome do nevo displásico (também denominada síndrome do melanoma familiar ou melanoma maligno familiar).
  • História familiar de câncer de pâncreas
  • Obesidade
  • Idade avançada, já que a maioria das pessoas é diagnosticada após os 65 anos

Um grande estudo demonstrou que a combinação de tabagismo, diabetes mellitus de longa data e uma dieta pobre aumenta o risco de câncer de pâncreas além do risco de qualquer um desses fatores isoladamente.

Evolução do câncer de pâncreas

Conforme o câncer de pâncreas progride, ele pode causar complicações como:

Perda de peso

Vários fatores podem causar perda de peso em pessoas com câncer de pâncreas.

A perda de peso pode acontecer quando o câncer consome a energia do corpo.

Náuseas e vômitos causados por tratamentos contra o câncer ou por um tumor pressionando o estômago podem dificultar a alimentação.

Ou o corpo pode ter dificuldade em processar nutrientes dos alimentos porque o pâncreas não está produzindo sucos digestivos suficientes.

Icterícia CÂncer de pÂncreas: causas e sintomas

O câncer de pâncreas que bloqueia o ducto biliar do fígado pode causar icterícia.

Os sinais incluem pele e olhos amarelos, que é a icterícia, urina de cor escura e fezes de cor clara.

A icterícia geralmente ocorre sem dor abdominal.

Dor

Um tumor em crescimento pode pressionar os nervos do abdome, causando uma dor que pode se tornar intensa.

Tratamentos, como radiação e quimioterapia, podem ajudar a retardar o crescimento do tumor e fornecer algum alívio da dor.

Obstrução intestinal

O câncer de pâncreas que se desenvolve ou pressiona a primeira parte do intestino delgado (duodeno) pode bloquear o fluxo de comida digerida do estômago para o intestino.

Um tubo (stent) pode ser colocado no intestino delgado para mantê-lo aberto.

Em algumas situações, pode ser útil fazer uma cirurgia para colocar um tubo de alimentação temporário ou conectar o estômago a um ponto inferior do intestino que não está bloqueado pelo câncer. CÂncer de pÂncreas: causas e sintomas

Diagnóstico do câncer de pâncreas

Na suspeita de câncer de pâncreas, podem ser realizados exames de imagem e de sangue, além biópsia.

Exames de imagem

Esses testes ajudam seus médicos a visualizar seus órgãos internos, incluindo o pâncreas.

As técnicas usadas para diagnosticar o câncer de pâncreas incluem ultrassom, tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e, às vezes, tomografia por emissão de pósitrons (PET).

Ecoendoscopia (Ultrassom endoscópico)

A ecoendoscopia (também chamada ultrassom endoscópico) é um exame que combina endoscopia e ultrassonografia e serve para avaliar alguns tipos de lesões e doenças do esôfago, estômago, intestino, pâncreas, vesícula e canal de drenagem da bile.

Além de analisar as imagens dessas regiões com alta precisão, o exame permite ainda a realização de biópsias, se necessário. CÂncer de pÂncreas: diagnóstico e tratamento

Exames de sangue

As células tumorais de alguns tipos de neoplasias podem produzir algumas proteínas específicas, denominadas marcadores tumorais.

O marcador tumoral usado no câncer de pâncreas é chamado CA19.9.

A medida do nível de CA19.9 no sangue pode ser útil para entender como o câncer está respondendo ao tratamento.

Mas o teste nem sempre é confiável porque algumas pessoas com câncer de pâncreas não apresentam níveis elevados de CA19.9, tornando o teste menos útil.

Biópsia

A biópsia é um procedimento para remover uma pequena amostra de tecido para exame ao microscópio.

O tecido pode ser coletado durante a ecoendoscopia ou inserindo uma agulha, guiada por ultrassonografia, através da pele (aspiração com agulha fina).

Estagiamento

Após confirmado o diagnóstico de câncer de pâncreas, deve-se realizar o estagiamento.

A função do estagiamento é quantificar o grau de acometimento, ou seja, a extensão, e a gravidade do tumor a fim de estabelecer o melhor tratamento para o caso.

Os estágios mais baixos indicam que o câncer está confinado ao pâncreas.

No estágio 4, o câncer se espalhou para outras partes do corpo.

  • Estágio 1: tumores só existem no pâncreas
  • Estágio 2: os tumores se espalharam para os tecidos abdominais ou linfonodos próximos
  • Estágio 3: o câncer se espalhou para grandes vasos sanguíneos e linfonodos
  • Estágio 4: os tumores se espalharam para outros órgãos, como o fígado

Tratamento do câncer de pâncreas

O tratamento do câncer de pâncreas depende do estágio e da localização do câncer, bem como da saúde geral e preferências pessoais do paciente.

Para a maioria das pessoas, o primeiro objetivo do tratamento do câncer pancreático é eliminar o câncer, quando possível.

Quando isso não é uma opção, o foco pode ser melhorar a qualidade de vida e limitar o crescimento do câncer ou causar menos danos.

O tratamento pode incluir cirurgia, radiação, quimioterapia ou uma combinação destes.

Quando o câncer de pâncreas está avançado e esses tratamentos provavelmente não oferecem benefícios, o médico se concentrará no alívio dos sintomas (cuidados paliativos) para manter o paciente o mais confortável possível pelo maior tempo possível.

Cirurgia

As operações usadas em pessoas com câncer de pâncreas incluem:

Cirurgia para tumores na cabeça do pâncreas

Se o câncer está localizado na cabeça do pâncreas, o procedimento escolhido é a Cirurgia de Whipple (pancreatoduodenectomia).

O procedimento de Whipple é uma operação tecnicamente difícil que remove a cabeça do pâncreas, a primeira parte do intestino delgado (duodeno), a vesícula biliar, parte do ducto biliar e os gânglios linfáticos próximos.

Em algumas situações, parte do estômago e do cólon também podem ser removidos. 

O cirurgião reconecta as partes restantes do pâncreas, estômago e intestinos para permitir a digestão dos alimentos. CÂncer de pÂncreas: diagnóstico e tratamento

Cirurgia para tumores no corpo e cauda do pâncreas

A cirurgia para remover o lado esquerdo (corpo e cauda) do pâncreas é chamada de pancreatectomia distal.

O cirurgião também pode precisar remover o baço.

Cirurgia para remover todo o pâncreas

Em algumas pessoas, pode ser necessário remover todo o pâncreas. Isso é chamado de pancreatectomia total.

A pessoa pode viver de maneira relativamente normal sem pâncreas, mas precisa de insulina e reposição enzimática para o resto da vida.

Cirurgia para tumores que afetam os vasos sanguíneos próximos

Muitas pessoas com câncer de pâncreas avançado não são consideradas elegíveis para o procedimento de Whipple ou outras cirurgias pancreáticas se seus tumores envolverem vasos sanguíneos próximos.

Em centros médicos altamente especializados e experientes, os cirurgiões podem oferecer operações de cirurgia pancreática que incluem a remoção e reconstrução dos vasos sanguíneos afetados.

Quimioterapia

A quimioterapia usa drogas para ajudar a matar as células cancerosas.

Essas drogas podem ser injetadas na veia ou por via oral.

A quimioterapia também pode ser combinada com a radioterapia (quimiorradiação).

A quimiorradiação é normalmente usada para tratar o câncer que não se espalhou além do pâncreas para outros órgãos.

Em centros médicos especializados, essa combinação pode ser usada antes da cirurgia para ajudar a reduzir o tumor.

Às vezes, é usado após a cirurgia para reduzir o risco de recorrência do câncer de pâncreas.

Em pessoas com câncer de pâncreas avançado e câncer que se espalhou para outras partes do corpo, a quimioterapia pode ser usada para controlar o crescimento do câncer, aliviar os sintomas e prolongar a sobrevivência.

Radioterapia

A radioterapia usa feixes de alta energia, como os feitos de raios X e prótons, para destruir as células cancerosas.

A radioterapia pode ser realizada antes ou depois da cirurgia de câncer, geralmente em combinação com quimioterapia.

Ou uma combinação de tratamentos de radiação e quimioterapia ode ser recomendada quando o câncer não pode ser tratado cirurgicamente.

Em centros médicos especializados, a radioterapia pode ser administrada durante a cirurgia (radiação intraoperatória).

Cuidados de suporte (paliativos)

Os cuidados paliativos são cuidados médicos especializados que se concentram no alívio da dor e de outros sintomas de uma doença grave.

Os cuidados paliativos não são o mesmo que cuidados de fim de vida.

Os cuidados paliativos são prestados por equipes de médicos, enfermeiras, assistentes sociais e outros profissionais especialmente treinados.

Essas equipes visam melhorar a qualidade de vida das pessoas com câncer e seus familiares.

Os especialistas em cuidados paliativos trabalham com o paciente, a família e os outros médicos para fornecer uma camada extra de apoio que complementa os cuidados médicos contínuos.

Geralmente são usados durante tratamentos agressivos, como cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

Quando os cuidados paliativos são usados ​​junto com outros tratamentos apropriados – mesmo logo após o diagnóstico – as pessoas com câncer podem se sentir melhor e viver mais.

Medicina alternativa

Algumas abordagens de medicina integrativa e alternativa podem ajudar com os sinais e sintomas devido ao câncer ou aos tratamentos contra o câncer.

Pessoas com câncer frequentemente experimentam sofrimento. Algumas pesquisas sugerem que o sofrimento é mais comum em pessoas com câncer de pâncreas do que em pessoas com outros tipos de câncer.

A medicina integrativa e as terapias alternativas também podem ajudar a pessoa a lidar com o sofrimento. Exemplos incluem:

  • Acupuntura
  • Arte terapia
  • Exercício
  • Massoterapia
  • Meditação
  • Terapia musical
  • Exercícios de relaxamento
  • Espiritualidade

Prevenção

A prevenção está em reduzir o risco de câncer com as seguintes medidas:

Parar de fumar

Fumar não traz qualquer benefício.

Aumenta o risco de desenvolver câncer de pâncreas e e outras doenças e custa dinheiro.

Manter um peso saudável

Quem tem um peso saudável deve mantê-lo.

Que precisa perder peso, deve fazer isso de uma forma saudável, lenta e constante – 0,5 a 1 quilo por semana.

De preferência com um combinação de exercício diário com uma dieta rica em vegetais, frutas e grãos integrais.

Escolher uma alimentação saudável

Uma dieta repleta de frutas, vegetais e grãos integrais pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver câncer de pâncreas e outros tipos.

Referências

O que É asma: causas, sintomas e tratamento